Tem Dado na cadeia?

Até onde um ser humano pode chegar?



Um dia ainda vivo disso...

Desculpem se estou falando demais da minha vida profissional ultimamente, mas é bom demais estar se realizando com aquilo que escolhemos para viver... Não, ainda não ganho nada escrevendo, mas um dia pretendo. Dessa vez fui convidado a escrever um artigo para um portal ligado à Secretaria Estadual de Educação.

O portal é bem grande e esse mês resolveu fazer um especial sobre cinema. Para isso realizou entrevistas com nomes de peso do cinema brasileiro como Walter Lima Jr. Uma amiga dos tempos de PUC-Rio que trabalha no site entrou em contato comigo não para dar uma entrevista, "senão só vai aparecer uma frasezinha no meio de várias citações de outros artistas. Eu quero um artigo todo seu."

Bom, adorei escrever o artigo, que está no Portal Conexão Aluno (só clicar aqui). Aproveitamos para colocar as fotos tiradas no bloco filmado pela nossa equipe e puxei também uma sardinha para o meu primeiro curta-metragem, que será filmado mês que vem. Mas isso ainda vai ser assunto de muitos posts...
 

Imaginô?

Pro bloco de carnaval fui contratado para filmar e mandar o material bruto, mas como sou bonzinho fiz um DVD extra com algumas fotos gentilmente cedidas pela Érica, uma edição de imagens de 20 minutos e um videoclipe que editamos com a música deles. Aqui está o clipe.


Que crise o quê?

Estamos tão por cima da carne seca que os gastos com cartões corporativos do governo esse ano já é de R$ 2.800.000. O gasto dos contribuintes com essa despesa cresceu mais de 400% com relação ao mesmo período do ano passado! Pra aumentar a festa uma pesquisa do jornal O Globo mostra que 90% dos funcionários terceirizados que trabalham no Congresso são parentes dos congressistas. Oba-Oba!

Cordel em homenagem ao Arcebispo

Recebi de uma amiga um cordel feito pelo artista Miguezim de Princesa ironizando o caso do Arcebispo que excomungou aqueles que apoiaram o aborto de uma menina de 9 anos que era violentada desde os 6. O estuprador não foi excomungado. Por que? Corporativismo? O cordel explica o fim deste homem. O fato é que me inspirei:

E-mail é coisa atual
E Igreja é de antigamente
Manda excomungar a todos
Um arcebispo que é demente
Assim como Rebecca Leão
Vou pedir minha excomunhão
Pois fui queimado novamente

Segue o cordel:


Miguezim de Princesa


I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
 A vaga de sacristão.



Paz Interior

- Boa tarde, senhores passageiros. Eu faço parte do movimento Hare-Krishna e faço distribuição de incensos e livros com a nossa filosofia pelo Rio de Janeiro. Austeridade, paz, verdade, vegetarianismo, desapego, crescimento espiritual, paz interior... É apenas R$1 o incenso e R$2 o livrinho.

Uma senhora, enquanto isso, tenta passar pelo Hare-Krishna e seu carregamento de produtos a serem "distribuídos" - Com licença...

-Minha senhora, quem tá na frente é ele - apontando para o estudante ao seu lado - OH, MEU FILHO... VAI SAIR DA FRENTE NÃO?!

Bem-vindo a Pasárgada




Não poderia haver melhor dia para voltar com as atividades desse blog do que uma sexta-feira 13. Os últimos dias foram de bastante correria e um misto de sorte e azar. Azar porque a correria me deu uma gripe que deixando-me 3 dias prostrado. Mas a sorte foi ainda maior, porque veio atrelada ao trabalho.

Como eu havia contado aqui fui contratado através da minha empresa - até então sem nome - para filmar o bloco "Imaginô? Agora Amassa.", no Leblon. No domingo de carnaval a Érica (minha namorada e sócia) foi chamada para fotografar famosos chupando picolés da Kibon no camarote da Brahma no Sambódromo. 

O azar e a sorte dela também foram testados. Azar porque a câmera novinha que ela comprou 2 dias antes pensando nesse trabalho deu problema no dia que mais era para funcionar. Sorte porque ela ainda não tinha vendido a câmera antiga, o que a ajudou a segurar o primeiro dia de Camarote. No segundo ela apelou para a câmera de um amigo que era igualzinha a que ela havia comprado. Raul é o nome do amigo salvador. O mesmo amigo que nos indicou para o trabalho do bloco.

Sorte por ter esse anjo da guarda por perto e também porque o vendedor da câmera nova percebeu que o problema não era por culpa da Érica e se comprometeu a enviar por conta própria o equipamento para o conserto, em São Paulo. Agora já foi consertado e já está voando de volta para o Rio. O drama dela é mais bem descrito pela própria no blog Soul mais Photo.

Bem, o fato é que eu estava com ela no dia que ela iria para o Sambódromo trabalhar e eu ia trabalhar o fígado com os amigos pelos blocos da cidade. No momento da despedida eu falei "Vou-me embora". Sem precisar de palavras os dois tiveram a mesma referência em pensamento "... para Pasárgada". Olhei pra ela e disse "Pasárgada Comunicação seria um nome bonito... Mas já deve existir..." Corremos para o Google, o Deus-Oráculo pós-moderno que tem todas as respostas, e ele nos assegurou que nada existia com esse nome que pudesse concorrer conosco.

Google nos disse que, além de 2 blogs bobinhos e outro de uma mulher com dor de cotovelo, esse nome foi usado para um conjunto residencial em Jundiaí, uma república em Ouro Preto, um restaurante em Curitiba, um gatil (!) e um governo imaginário criado por um cidadão (!!!). Assim foi batizado então nosso filho. Graças ao carnaval.

E aí? Gostaram de Pasárgada Comunicação? Espero que sim, porque já editei um vídeo institucional com algumas fotos dela e vídeos nos quais eu trabalhei, criamos um Flickr, a logomarca e estamos bolando um site. Outras novidades estão a caminho. Sorte.

Segue o poema de Manuel Bandeira com explicação do próprio:

Vou-me embora pra Pasárgada 
Vou-me embora pra Pasárgada 
Lá sou amigo do rei 
Lá tenho a mulher que eu quero 
Na cama que escolherei 
Vou-me embora pra Pasárgada 

Vou-me embora pra Pasárgada 
Aqui eu não sou feliz 
Lá a existência é uma aventura 
De tal modo inconseqüente 
Que Joana a Louca da Espanha 
Rainha e falsa demente 
Vem a ser contraparente 
Da nora que nunca tive 

E como farei ginástica 
Andarei de bicicleta 
Montarei em burro brabo 
Subirei no pau-de-sebo 
Tomarei banhos de mar! 
E quando estiver cansado 
Deito na beira do rio 
Mando chamar a mãe-d`água 
Pra me contar as histórias 
Que no tempo de eu menino 
Rosa vinha me contar 
Vou-me embora pra Pasárgada 

Em Pasárgada tem tudo 
É outra civilização 
Tem um processo seguro 
De impedir a concepção 
Tem telefone automático 
Tem alcalóide à vontade 
Tem prostitutas bonitas 
Para a gente namorar 

E quando eu estiver mais triste 
Mas triste de não ter jeito 
Quando de noite me der 
Vontade de me matar 
-Lá sou amigo do rei- 
Terei a mulher que eu quero 
Na cama que escolherei 
Vou-me embora pra Pasárgada. 

(Estrela da vida inteira, cit., p. 127-8.) 

Rosa: mulata que serviu de ama-seca a Manuel Bandeira e a seus irmãos quando meninos. 

Alcalóide: substância química encontrada nas plantas que, entre outros fins, serve para a fabricação de drogas. 

Bandeira explica seu poema: 

“Vou-me embora pra Pasárgada” foi o poema de mais longa gestação em toda minha obra. Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgada quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego. [...] Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas”, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias [...]. Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: “Vou-me embora pra Pasárgada!”. Senti na redondilha a primeira célula de um poema [...].

Eu voltei

Esse Zé Pereira é um chato. Expulsei ele do meu espaço. Vê se pode. Só fala de bloco... Já eu gosto de escola de samba também. Torço para as mais tradicionais: Portela, Mangueira, Estácio de Sá - que já se conformou com o grupo de acesso - e Império Serrano, que não merecia sair nunca do grupo especial. Pelo menos voltou uma boa escola à elite da Sapucaí; Salve União da Ilha. Ah, e considero justo o campeonato do Salgueiro, que estava muito bonito. Mereceu.

Salve o Rio de Janeiro e seus 444 carnavais.

Bom, hoje começa oficialmente aquela parte chata do ano entre o carnaval e o natal. Bem-vindos à realidade.