Resolução de ano-novo

E já que para alguns o ano ainda não começou ainda dá tempo de fazer minha grande resolução de 2010, né? Pois lá vai:

Em 2010 eu vou tomar conta da vida dos outros!

Sim, porque parece que as pessoas pararam de tomar conta das próprias vidas. O senhor que veio consertar o microondas foi embora sem consertar, a faxineira manchou chão, rodapés e portas com cera e não está nem aí, minha administradora cancelou o débito automático do meu condomínio sem me avisar e agora vou ter que parcelar 4 meses de contas atrasadas por conta da incompetência deles, duas empresas para quem trabalhei no final do ano passado "esqueceram" de me pagar...

Eita... 2010 vai ser um braseiro.

O ano já começou na Terra da Brasa

Quase todo mundo diz que o ano no Brasil só começa depois do carnaval. E que o país pára (pretendo continuar usando o acento diferencial, só de sacanagem com os portugueses) durante a Copa do Mundo. Se é assim por que não enforcar o ano todo até o fim da Copa?


Bom, o meu ano começou bem antes do carnaval. Trabalhos novos sem parar. Acho que esse papo de que o ano só começa depois do carnaval é papo furado dos "Mainardis" da vida que não trabalham em nada produtivo e se esquecem que nasceram na "Terra da Brasa" para dizer que "os brasileiros" são todos uns vagabundos.


Quem me dera ser vagabundo... Desses clássicos de bigodinho e chapéu. Passar a mão na bunda das meninas pela rua e não apanhar por ser protegido pelas moçoilas, bem Vadinho... Mais divertido e menos prejudicial do que viver de reclamar da vida, bem Mainardinho.


E por falar em "Terra da Brasa" esse tal aquecimento global tá fazendo a gente viver num brasil mesmo, né? E eu que moro a 2 quadras da praia de Ipanema e 3 da de Copacabana? O que estou fazendo em casa? Ah, é. Trabalhando... Vou voltar então. Sabe como é; daqui a pouco é carnaval e aí tudo pára. O Zé Pereira toma conta. Abraços carnavalescos!


PS: Já pensou se a Dona Flor casasse com um Mainardinho? Acho que ele ia ficar reclamando que a bunda dela é muito grande, que aquela cor baiana o desagrada e que ele preferiria um grande rapaz nórdico (Do jeito que ele queria ser).


O homem que não se choca com nada

Fui ao aniversário do Carlão, um amigo dos tempos de PUC, na Lapa e lá encontrei entre outros amigos um que não via há muito tempo; Rogério. Ele é um desses caras sem o menor desprendimento. Nascido na Baixada Fluminense, criado - além da Baixada - em diversos lugares do Brasil, ele vai para onde der na telha. Não se prende a nada e a ninguém senão à própria mãe. Tanto que perguntado como estava o pai dele ele só respondeu: "Teve um negócio no cérebro e morreu. Mas ele tava tratando muito mal a minha mãe ultimamente."

Nos últimos dias eu vinha lembrando bastante dele. Não a toa. Rogério foi das Forças de Paz da ONU no Haiti. Mas isso no início da missão brasileira naquele país. Uma época muito difícil, já que eles chegaram apartando uma guerra civil entre famintos, mas não era a situação de caos a que os habitantes desse país estão submetidos agora, depois do terremoto. No entanto ele presenciou saques de famintos e precisou usar sua arma mais de uma vez. Rogério viu muita violência desde seus tempos de Baixada. Viu grupos de extermínio formados por vizinhos, violência policial, tráfico...

Ele é um cara que não se surpreende com nada. Nada o deixa chocado. Há alguns meses, talvez 1 ano, ele foi morar no Amapá para tentar a vida em um cargo público lá e não voltava para o Rio desde então. Só tinha notícias daqui através de sua mãe, que segue morando na Baixada, e um ou outro amigo mais próximo.

Ironicamente Rogério ficou de queixo caído ao saber que os amigos teriam que sair do bar onde estávamos conversando para fumar um cigarro. Mais surpreso ainda ele ficou ao saber um pouco mais sobre o "choque de ordem" e que nas praias cariocas os ambulantes só poderiam trabalhar cadastrados, as barracas só poderiam ser as cedidas pela prefeitura e, mais ainda, a prefeitura dava barracas que todos os comerciantes reclamam pela dificuldade em armá-las e desarmá-las diariamente e pela falta de peças de reposição. Além disso as barracas de praia que alugam necessariamente seriam vermelhas ou amarelas e sem marcas de propaganda. O coco quase foi proibido por sujar demais as praias (nesse caso seria melhor proibir o sujeito que suja e não o coco, coitado)...

Mas o que fez Rogério quase cair pra trás foi quando eu o disse que a prefeitura proibiu e depois "desproibiu" o mate de galão.

PS: A mesma prefeitura que quase os proibiu agora quer considerar os vendedores de mate de galão patrimônio cultural do Rio...

E por falar em carnaval...




Em minhas andanças pela internet conheci essa música do Wilson das Neves, não sei se inspirado pelo BOPE que tá dominando geral. Achei muito interessante e resolvi postá-la:

O Dia Em Que o Morro Descer e Não For Carnaval
(Wilson das Neves)

O dia em que o morro descer e não for carnaval
ninguém vai ficar pra assistir o desfile final
na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu
vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil
(é a guerra civil)

No dia em que o morro descer e não for carnaval
não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral
e cada uma ala da escola será uma quadrilha
a evolução já vai ser de guerrilha
e a alegoria um tremendo arsenal
o tema do enredo vai ser a cidade partida
no dia em que o couro comer na avenida
se o morro descer e não for carnaval

O povo virá de cortiço, alagado e favela
mostrando a miséria sobre a passarela
sem a fantasia que sai no jornal
vai ser uma única escola, uma só bateria
quem vai ser jurado? Ninguém gostaria
que desfile assim não vai ter nada igual

Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga
nem autoridade que compre essa briga
ninguém sabe a força desse pessoal
melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria
senão todo mundo vai sambar no dia
em que o morro descer e não for carnaval.

E o carnaval vai chegando...

Já reservou seus blocos? A Pasárgada vai filmar e fotografar mais uma vez o "Imaginô? Agora Amassa" pelas ruas do Leblon no sábado anterior ao carnaval. Ano passado fizemos um clipe para eles que ficou bem legal e esse ano eles pediram de novo.

Quem quiser apareça lá. Vou estar com uma filmadora na mão o tempo todo, mas em nenhum momento isso vai impedir a minha diversão de 10 às 18h da Cobal do Leblon até a praia. Nos vemos lá?

E quem souber de outros blocos que queiram filmagem e fotografia é só avisar.

Aqui o clipe do Imaginô do ano passado (qualidade de imagem comprometida pela internet. No DVD ou blu-ray é bem melhor.):

Ói nós aqui tra vez.

Olha eu aí em um projeto internacional...


A situação tá subterrânea

Poema retirado do blog da Lady Shady há algum tempo, mas eu estava esperando a situação subterrânea piorar. Com os governantes que a gente tem, afinal de contas, a única certeza que temos é que as coisas vão piorar...

Poema ‘Caliente’

O momento em que estamos juntos é interminável…

Nossos corpos estão tão unidos que posso sentir as batidas do seu coração.

Nossa respiração confunde-se com a do outro…

Nossos movimentos são sincronizados…

Indo e voltando… para frente e para trás…

Às vezes pára, e então, quando nos cansamos da mesma posição, nos esforçamos para mudar, mesmo que seja só por pouco tempo.

O suor de nossos corpos começa a fluir sem nada que possamos fazer.

Um calor enorme parece que nos fará desmaiar…

Uma força ainda maior nos faz ficar ainda mais colados um ao outro e, quando não agüentamos mais segurar…

Uma voz ecoa em nossos ouvidos:

‘Próxima Estação, Estácio. Estação de transferência para a linha 2. Desembarque pelo lado direito.’