Os inocentes do Leblon

Desta vez vou ceder meu espaço a Hildegard Angel, Drummond e Chico. Em coluna muito coerente prévia à noite em que o Leblon foi temporariamente incorporado à cidade do Rio de Janeiro, "Hildezinha" cita causas da violência com que os manifestantes tem se portado. O que ela não diz é que a possível iminente guerra civil, surge de banalidades como guardanapos na cabeça e Louboutin nos pés durante orgias gastronômicas em Paris. Surge de meros passeios rápidos de helicópteros. Surge de um dinheirinho a mais pra gasolina ou um auxílio-paletó. E também de tirar umas famílias de pobres e de índios do caminho da civilização padrão Fifa.

"Que culpa eu tenho de o governador morar perto de mim?", diria um aristocrata morador do bairro de Manoel Carlos. Deixo que Drummond - de Copacabana - o responda na voz de Chico - do Leblon.


1 século atrás Bertold Brecht disse "O que é roubar um banco perto de fundar um banco?". Na noite de 17 de julho patrimônios privados foram depedrados e uma loja da Toulon foi invadida. As roupas foram distribuídas para os moradores de rua. Os prejuízos ficam para as seguradoras.

Estranhamente quando a manifestação está pacífica a PM entra "sentando a mão". Quando os "baderneiros" - adoro a história de Marietta Baderna, que deu origem à expressão. Pelo visto a Globo também. - começam o quebra-quebra a PM, que já estimulou o começo da confusão, simplesmente some.

Mas não some por completo. É claro que fica em pontos estratégicos para proteger a integridade do sr. governador. E assim foi feito mais uma vez na noite de 17 de julho. Os PMs protegeram a propriedade do governador e "desceram a lenha" em quem chegou perto da casa do secretário de segurança. O resto da população que fique com o terror. O editorial do JB de hoje abordou o perigo desta ação:

"Permitir que haja um confronto entre os manifestantes e o segmento mais pacífico dos cidadãos é uma estratégia perigosa. Ao invés de se erguer contra os que protestam, esta parte da população, abandonada pela segurança pública, pode acabar aderindo ao movimento, aumentando ainda mais a indignação contra os rumos do governo."

Mais do que ignorar as manifestações violentas as denominadas forças de segurança estimulam ainda mais com policiais infiltrados, os chamados P2. Termo estranho que se tornou extremamente popular de 1 mês pra cá. Eu poderia estar me referindo ao filme Z, do cineasta Costa Gavras. Mas infelizmente a realidade está em nossas portas, como é possível ver no vídeo abaixo. Policiais são mostrados perseguindo quem está com câmeras e tirando os registros do que está fazendo. Em 1 minuto e 10 segundos há um P2 prendendo um manifestante. Ao se ver filmado ele tenta disfarçar.


Isso não é na Grécia em 1969. Isso é no Leblon ontem à noite.


Fiquem com a coluna de Hildegard Angel, onde ela analisa os motivos dos ataques raivosos de parte da população. A coluna completa está em HildegardAngel.com.br


"Fomentado pela grande mídia, o ódio da classe média manifesta-se nas mídias sociais, nas ruas, nas cartas aos jornais, nos bares, nas conversas. Num projeto golpista, temendo a continuidade do governo PT, uma mídia irresponsável, inconsequente, com sua curta visão, fez sua audiência acreditar que todos os males crônicos do Brasil advêm da era Lula.
Corrupção, crise hospitalar, deficiência do ensino, do saneamento, mazelas que somam pelo menos cinco décadas de omissões em gestões sucessivas, se é que podemos chamá-las de “gestões”, são debitadas aos governos petistas, justamente aqueles que apresentaram e apresentam os melhores resultados no desenvolvimento econômico, na política externa, na qualidade de vida, na justiça social, no reconhecimento internacional, na distribuição de renda e em inúmeros outros méritos.
Tanto fizeram, tanto insistiram, numa campanha de tal forma poderosa, insidiosa, obsessiva, continuada, que conseguiram chegar ao cenário que pretendiam: o país desmoralizado internacionalmente, a presidenta impopular, a economia em queda, manifestações nas ruas.
Cegos, imprevidentes, imprudentes, os donos desta mídia, os membros desta sigla, PIG – de Partido da Imprensa Golpista – acabam por dar o Golpe neles próprios, pois a primeira vítima é ela mesma, a mídia, que acendeu o fósforo, mas quem jogou a gasolina foi o Facebook, foi o Google. Só então a grande e forte mídia brasileira percebeu o quão é pequena e frágil, uma formiguinha, perto das redes sociais.
E deu no que deu: para cobrir as manifestações, só com os repórteres no alto dos prédios, dialogando com os cinegrafistas no alto dos helicópteros. Se chegassem às ruas, eram escorraçados, enxovalhados, linchados. Os microfones, pelados: não podiam exibir logomarca de emissora.
(...)
E quando essa ira da classe média se alastrar até os pobres, os muito pobres, os miseráveis, os iletrados, quem vai conduzi-los? Quem tem liderança, neste momento, em nosso país? Quem são nossas lideranças?
Os movimentos nas ruas já mostraram que não há quem os guie. As centrais sindicais convocaram greve geral e foi um fiasco. Não lideram mais. Os movimentos estudantis, igual. Acomodaram-se nestes 10 anos de ante sala do poder. O PT, nem se fala, bem como os partidos aliados do governo. Acostumados a ser oposição desde sua origem, desmobilizaram suas “massas” e não as entusiasmam mais com a mesma intensidade e velocidade de antes.
Os partidos de oposição, DEM, tucanos e correlatos, de elite, não têm liderança popular, nem sabem ter. Botam na rua, se muito, alguns gatos pingados. Agem na base da intriga dos punhos de renda, dos corredores, cochichando coisas nos ouvidos e nos IPhones dos editores de revistas e colunistas de jornais. Não são povo.
As únicas lideranças com poder de mobilização no país na atualidade são: 1) O Crime Organizado.; 2) As Seitas Pentecostais (Igrejas Evangélicas). Escolha seu líder…"