Chico Mendes


Há 23 anos, no dia 22 de dezembro de 1988, foi assassinado o líder popular Chico Mendes. Ele foi uma liderança que ousou questionar as grandes madereiras, os grandes empresários e mesmo o governo com relação ao que estava sendo feito para preservar a Amazônia. Com total consciência Chico Mendes abriu caminho para o questionamento de muita coisa e para a luta pela preservação do meio-ambiente e, em especial, da Amazônia.

Um líder rebelde de origem popular que mostrou, mais uma vez, que lutar é preciso. Mesmo recebendo ameaças, sabendo dos riscos que corria, ele lutou até o fim, chamou a atenção para a causa ambiental sem abdicá-la em nenhum momento. Ele já havia sido condecorado pela ONU no dia 5 de junho de 1987 (dia do meio-ambiente), mas foi somente após a morte do ecologista e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri (AC) que foi despertada a atenção internacional para os conflitos entre seringueiros e fazendeiros.

Morreu assassinado por fazendeiros que já fugiram diversas vezes da cadeia, chegando a conseguir financiamento público através de uma identidade falsa após uma dessas fugas. Hoje Darly Alves da Silva, um dos assassinos, está rico e cumpre prisão domiciliar. O filho dele, Darci, co-autor do assassinato de Chico Mendes, vive muito bem no Pará, administrando uma das fazendas da família.

A causa de Chico Mendes também era social. Ele criou o projeto das reservas extrativistas, unindo interesses dos seringueiros e dos índios. Embora não tenha havido grande repercussão no Brasil pelo 20˚ aniversário desse triste assassinato, houve repercussão no exterior. O jornal inglês The Guardian de hoje traz uma reportagem sobre os 20 anos da morte de Chico, falando sobre a importância desse líder e os avanços que ele propôs na maneira de lidar com o meio-ambiente mundo afora.

Mas a matéria mostra ainda uma triste realidade brasileira; o risco que correm as lideranças contestadoras por aqui. Um estudo da Comissão Pastoral da Terra que será publicado em 2009 sugere que pelo menos 260 pessoas vivem em condições de risco de vida por causa de sua luta contra um conjunto de fazendeiros, boiadeiros e madereiras que atuam na região amazônica.

O jornal traz ainda um artigo assinado pelo renomado jornalista e defensor das causas ambientais Charles Clover, que conheceu Chico Mendes pessoalmente. Intitulado "Chico Mendes Mártir dos nossos tempos", o artigo cita o sucesso das reservas extrativistas e daquelas administradas por comunidades indígenas estabelecidas por Mendes em proteger partes da Amazônia.

"Agora as pessoas falam na adoção de cotas de carbono para proteger áreas similares ao redor do mundo", diz a coluna. "E me dou conta de que conheci o mártir dos nossos tempos - o Gandhi, ou talvez Che Guevarra, de nossa era ambiental".


Esse blog é dedicado a Chico Mendes e a todos aqueles que lutam pela causa ambiental / social e não desistem de sua luta.

O samba é um moleque

O samba é uma criança. Olha aí Chico Buarque e Hebe, crianças "gracinhas" cantando e dançando com Donga:


Feliz dia do Samba!