10/02/2012

Entrevista do Deputado Romário

ROMÁRIO (acreditem: o menos faltoso entre os novos deputados Federais) e uma entrevista incrível;
Parte de entrevista do ROMÁRIO ao jornalista Cosme Rimoli - TV Record

- Você foi recebido com preconceito em Brasília?
Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra. Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca deixei de me informar, estudar.

Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas... Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas. Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente... Preparada para a vida.

E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais.

- Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?
Você não tenha dúvidas que a ignorância é parceira da corrupção. Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões. Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente. Sabe por quê? A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk... É um escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar. Alguém ganhou muito dinheiro com o Panamericano do Rio.

A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem. Por isso que defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos. Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.

- Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos...
Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ningúem. Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá... Pernambuco... Todas as outras sete arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas. Eu vi onze das doze... Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas.

Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países? Basta pensar. Quem se beneficia com tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa? É revoltante. Não há a mínima coerência na organização da Copa no Brasil.

- São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?
Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto... E a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo? Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil. No Maracanã também vão gastar uma fortuna, mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência. Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.

- O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos. E entregue para um clube particular.
Você está falando do estádio do Corinthians, não é? Não vou concordar nunca. Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a aceitar. Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.

- A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?
Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil. É revoltante. Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil. Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da Fifa. Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada. É uma palhaçada! As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio. O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.




- Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014?
Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão. Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem. Não deu outra. Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final. Eu acho um absurdo.

- Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal... Ele tem condições morais de comandar a organização da Copa no Brasil?
Não. O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa. Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro...

A África apresentou há alguns meses atrás o resultado final da Copa do Mundo: deu prejuízo e grande. Agora é a vez do Brasil. Fifa, CBF, políticos e os empreiteiros vão ganhar muito dinheiro. Quem teve a idéia de promover, o evento em nosso país, alguém sabe?

28/01/2012

Juíza assassina com orgulho e depoimentos dos sobreviventes

Entrevista com a juíza que permitiu o massacre em Pinheirinhos. ORGULHOSA do que fez.



E aqui os depoimentos dos desabrigados demonstrando que pra essa juíza está tudo lindo, mas pra eles a situação é outra.



Entenda o que aconteceu nesse post aqui

26/01/2012

O prédio que desabou





Muito triste o que aconteceu com os prédios que desabaram no Rio. E pensar que esses eram dos mais novos. Alguns outros prédios no Centro do Rio, ao passar, não há como não se perguntar como ainda não caíram.

Nessa foto da Érica o prédio maior que caiu é o branco ao fundo.

Foto da Globonews do mesmo ângulo depois do desabamento:


Cá entre nós, bem que poderia estar rolando no prédio que caiu uma reunião entre alguns dos atuais governantes no momento do desabamento...

22/01/2012

Pinheirinhos, a verdade




Minha posição quanto às questões sociais é bem clara; simplificando meu pensamento sempre serei favorável a uma distribuição justa de renda e condições dignas a toda a população. No entanto dizer isso já tornou-se um clichê e é nos momentos de confronto social que as posições ficam evidentes.

Algumas pessoas dizem não ter opinião formada e esperam alguém escrever uma crônica bonita falando mal da polêmica em torno do assunto. Aí caem de pau partilhando a crônica que definiu suas posições pelo Facebook ou em correntes de e-mails. Outros atacam agressivamente movimentos sociais sem sequer ouvir suas reinvidicações. Criminalizam quaisquer revoltas populares. Não percebem que geralmente para haver quórum para um movimento organizado é porque há uma causa em comum àqueles cidadãos que se organizaram. E para chegarem a esse ponto, na maior parte das vezes, aquelas pessoas já tentaram e não conseguiram ter algum direito social atendido.

Mas seria muito errado generalizar as posições pessoais como se todas as pessoas seguissem cartilhas doutrinárias. Eu, por exemplo, não sou filiado a nenhum partido e não pretendo nunca me filiar, pois há uma necessidade em mim de liberdade para mudar de opinião sempre que achar justo. Por isso não quero aceitar cegamente opiniões alheias. Não posso negar, no entanto, que meu conceito de Justiça passa sim pelas reivindicações de muitos movimentos sociais e um deles é o dos trabalhadores sem teto.


Mais da metade das poucas pessoas que começaram a ler o post já abandonaram a leitura até aqui - tenho certeza. Uma pena, pois vou embasar meu texto em fatos para demonstrar minha posição. Primeiramente há no Brasil, de acordo com dados de 2011 da Câmara dos Deputados um déficit habitacional de 5,5 milhões de habitações. Considerando 4 a 5 pessoas em cada habitação a necessidade é para entre 22 e 27,5 milhões de pessoas de acordo com os dados oficiais.


O site Transparência São Paulo diz que neste estado há uma carência de habitação para 5 milhões de habitantes e, além disso 6,2 milhões vivem em áreas ainda não regularizadas e sem as mínimas condições de habitabilidade. Seriam necessários 60 anos de políticas públicas adequadas para zerar esse déficit no estado.


Na cidade de São José dos Campos em 2004 uma área de 1 milhão e 300 mil metros quadrados completamente vazia foi ocupada por pessoas que faziam parte das estatísticas do governo. Gente que não tinha condições dignas de moradia ou que moravam longe demais dos grandes centros e por isso perdia oportunidades de trabalho, além de dinheiro e tempo com os transportes públicos.


Uniram-se aos ocupantes 300 moradores que haviam sido despejados de outra ocupação ali perto, a do Campo dos Alemães. Outra ocupação que teve seus moradores despejados com a promessa do governo de uma moradia digna em outro lugar.


Cerca de 7 mil pessoas de acordo com a Polícia Militar e mais de 10 mil de acordo com os militantes habitaram o lugar. Lá se estabeleceram, construíram e ampliaram suas casas, tiveram filhos, montaram comércios, trabalharam. Nos últimos 8 anos deram ao lugar uma função social prevista na Constituição Federal.


O enorme terreno, no entanto, pertence à massa falida de uma das empresas fantasmas de Naji Nahas; a Selecta S/A, que deve R$15 milhões só em impostos à prefeitura de São José dos Campos e nunca teve sequer 1 funcionário, de acordo com O Observador Político.



Naji Nahas, que não é permitido de pisar em nada mais nada menos do que 40 países por conta de seus crimes internacionais, ficou conhecido no Brasil depois de quebrar a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Ele captava empréstimos em bancos para suas empresas fantasmas e investia os empréstimos na Bolsa através de laranjas que recebiam um percentual do lucro. É uma forma de fazer negócios consigo mesmo e se blindar de prejuízos. Lucro certo que foi parar entre outros na conta do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.


Depois descobriu-se o envolvimento de outras fig
uras públicas nas negociatas de Nahas. Pitta, Daniel Dantas, Salvatore Cacciola e outros bandidos foram desvelados através da Operação Satiagraha da Polícia Federal, que atualmente é também tema de investigação por ter vazado dados para a Rede Globo ainda durante a apuração. Para entender mais das negociatas mencionadas veja o infográfico feito pela equipe UOL.

Pois bem, no final de dezembro a decisão judicial saiu e foi favorável ao despejo. Desde então começou uma guerra entre entidades judiciais favoráveis ao despejo das famílias e destruição de tudo que foi construído no terreno e entidades favoráveis ao uso constitucional das terras. Depois de alguns atos de violência policial e muito terror psicológico às famílias chegou a ordem que parecia definitiva.


Uma ordem suspendendo a reintegração de posse foi assinada por um juíz federal, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo disse que é independente. Por isso a OAB disse haver uma quebra do pacto federativo e o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo revelou ter sido surpreendido pela decisão unilateral paulista.


De acordo com o portal R7, o juiz Rodrigo Capez, que responde pela presidência do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) afirmou neste domingo que o Tribunal de São Paulo e o Tribunal Regional Federal são hierarquicamente equivalentes e a decisão de um não pode se sobrepor à do outro. Rodrigo Capez é irmão do Deputado Estadual pelo PSDB Fernando Capez.


Por volta das 6h da manhã de domingo cerca de 2 mil policiais militares chegaram enquanto a maioria da população dormia à região para, com força desproporcional desalojarem as 1600 famílias. Sindicatos próximos também foram cercados para não mandarem apoio, líderes comunitários sumiram temporariamente e deputados e vereadores simpatizantes à causa foram isolados pela polícia de acordo com o Vírus Planetário.
Além dos policiais guardas municipais de São José dos Campos foram à batalha com armas de fogo e usando luvas de borracha (para no caso de uma eventualidade não ser identificado o autor do disparo).



Celulares e máquinas fotográficas foram apreendidos também. Os relatos são de espancamentos e até mortes. Polícias de 33 municícipos foram convocadas para esta barbárie, de acordo com o Diário Liberdade. Militantes falam em até 8 mortos. Nenhuma morte foi noticiada até agora na grande mídia.


Há informações contraditórias de que políticos como o deputado Ivan Valante (PSOL), o senador Eduardo Suplicy (PT) e o líder socialista Zé Maria (PSTU) foram isolados pelas forças de repressão na Escola Edgar, que posteriormente foram desmentidas pelas assessorias de imprensa dos parlamentares que afirmaram que estavam em negociação na escola. Parte da imprensa afirma que o senador Suplicy não esteve no Pinheirinho domingo, e sim no sábado, mas o UOL confirma a detenção. Há jornalistas que confirmam que os políticos e os professores Almir Bento Freitas e Lourdes Quadros Alves também foram detidos na Escola Edgar. Almir e Lourdes são diretores do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo). Os deputados federais Paulo Teixeira (PT) e Carlinhos Almeida (PT) também foram ao local tentar uma negociação.




A Folha de SP mostra as condições deploráveis dos "abrigos" para onde foram mandados os desalojados. Duas tendas sem parede. Uma delas com chão de terra. Como choveu na cidade esse domingo a terra virou lama. Policiais jogam bombas de gás com frequência nas pessoas que estão dentro das lonas. Os depoimentos dados ao Estadão são lamentáveis e bastante reais. A reportagem parecia boa, mas o Estadão quis fazer juz à fama e terminou falando do trânsito causado pelos manifestantes.

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse neste domingo que a ação "atropelou" as negociações para a desocupação pacífica do local. Um dos assessores do ministro, inclusive, que estava no terreno, foi atingido com uma bala de borracha na perna, de acordo com a Folha. E o governador Alkmin elogiou a ação policial para a CBN.

Isso aqui descrito são os fatos ocorridos, recolhidos de diversas fontes. A maior parte da grande mídia, que foi de onde eu tirei minhas informações, prefere dar ênfase ao carro da afiliada da Globo pegando fogo. Mesmo supondo que foram os moradores da ocupação que tacaram o fogo nos carros é difícil condenar quem não tem direitos no dia-a-dia e que a mídia só mostra como bandidos. Esse vídeo mostra quem são os grandes bandidos de Pinheirinhos:



O Estado é quem decide o que fazer com o terreno que pertence à massa falida de uma corporação. Seria mais barato e, incontestavelmente mais fácil ao Estado investir na região ocupada, que até asfaltada e com áreas de lazer e para a prática de esportes já estava. Seria melhor investir no desenvolvimento da região e das pessoas que ali moravam e trabalhavam do que procurar agora reduzir as taxas de desemprego e o déficit habitacional que vão aumentar por conta do despejo. Seria mais humano promover a ordem a Pinheirinhos e a seus moradores que já tinham ali uma vida construída do que implantar o terror de Estado com a truculência a essas famílias sem deixar sequer que retirassem seus pertences civilizadamente como pode ser visto nos vídeos. Depois ninguém sabe porque a população não se sente representada pelo Estado.


Pra piorar olha a situação de hoje:


"Estávamos junto à população de Pinheirinho refugiados numa Igreja, a polícia pela rua da frente inúmeras vezes atacando bomba e muitos tiros para intimidar ainda mais a população. Eis que chega a Polícia Federal com o Secretário Nacional de Direitos Humanos. Pelo menos por algumas horas a população respirará sem tanto medo. Triste história." (Nathalie Drumond, do Pinheirinho)

"Em São José dos Campos. Um dos dias dias mais revoltantes (se não o mais) da minha vida. Milhares de pessoas andando a esmo no entorno do Pinheirinho, com suas malas, pertences, filhos, bichos de estimação... para onde vão?
Como aceitar que suas casas (já de alvenaria, nas quais investiram cada pouquinho que podiam para construir), seus lotes (com flores, árvores) vão ser completamente destruídos para que aquele terreno volte a ser o que era: NADA. Um buraco vazio no meio de uma cidade, para favorecer a especulação imobiliária. é muito importante que façamos a pergunta: a quem essa atrocidade favorece?
A quem favorece a política de terrorismo da PM de São Paulo? Não se poder andar na rua do seu próprio bairro porque a qualquer momento uma viatura (de quem supostamente te protege) vai virar a esquina e te meter uma saraivada de balas de borracha.
Acabamos de voltar da igreja próxima ao Pinheirinho. São milhares de pessoas lá... pergunto de novo. Para onde elas vão? Elas estão paradas no meio da rua e não têm a quem recorrer." (Maia Fortes, do Pinheirinho)



11/01/2012

Metrô parado e "Cada um com seus problema!"


O Metrô Rio ontem ficou parado aproximadamente 1 hora entre as estações Ipanema e Glória. Os seguranças se mostraram poucos e despreparados. 15 minutos depois dos trens parados ninguém era avisado de nada. Passageiros continuavam esperando alguma resolução ou mesmo explicação. Outros, entre eles turistas, mulheres com crianças e idosos continuavam entrando na estação e atravessando sua longa extensão, comprando bilhetes e passando a roleta normalmente, sem aviso de que os trens estavam parados, para se juntar aos muitos que lá já estavam impacientes.


Alguns passageiros resolveram então subir para ir embora. Nessa hora mais confusão. A maioria enfrentou uma fila para receber um 'vale' do segurança. Essa fila para o vale dava o direito de enfrentar outra fila para ter o dinheiro da passagem ressarcido. Depois de mais de 20 minutos esperando uma definição e se atrasando para seus compromissos obviamente muitos passageiros não pegaram seus ressarcimentos.

Mesmo depois de muita reclamação os seguranças continuaram deixando todos entrarem sem nem um aviso. Repare no vídeo que mais de meia hora depois do início do transtorno, já indo embora, eu e outros passageiros é que precisamos avisar aos idosos que estão chegando o que sabemos para eles não passarem pelos mesmos transtornos. Não há 1 funcionário do metrô por perto. No meu caso, depois de todo o atraso tive que ligar do celular para adiar o compromisso, pagar R$31 em um táxi e ainda me atrasar para o meu trabalho.

Ao serem perguntados do porquê de deixarem passageiros continuarem entrando normalmente os seguranças ficaram calados. Ao serem questionados sobre a resolução do transtorno causado aos milhares de usuários do metrô o segurança respondeu "Cada um com seus 'problema'". Isso na mesma semana em que houve novos problemas nos trens-sucata da Supervia e 1 semana depois do aumento das passagens de ônibus realizado na calada da noite de reveillon.







Mas para o governador não faz diferença; ele continua andando de helicóptero. E mesmo se a população se revoltasse e impedisse nosso governante de usar verba pública para esse tipo de transporte algum empresário ofereceria seu helicóptero particular, como foi o que aconteceu no caso em que a namorada do filho e uma "mulher intimamente ligada a ele" tragicamente faleceram em um acidente na Bahia. Completando, a esposa dele é uma das sócias da empresa "contratada" para advogar para a concessionária Metrô-Rio. Concessionária esta que, mesmo tratando a população carioca como gado, está prestes a renovar seu contrato com o governo automaticamente.

Enquanto isso na Sala da Injustiça:

Quer uma notícia de hoje? Essa aqui tem meia hora: Trens de Santa Cruz parados.

23/12/2011

Chico Mendes


Há 23 anos, no dia 22 de dezembro de 1988, foi assassinado o líder popular Chico Mendes. Ele foi uma liderança que ousou questionar as grandes madereiras, os grandes empresários e mesmo o governo com relação ao que estava sendo feito para preservar a Amazônia. Com total consciência Chico Mendes abriu caminho para o questionamento de muita coisa e para a luta pela preservação do meio-ambiente e, em especial, da Amazônia.

Um líder rebelde de origem popular que mostrou, mais uma vez, que lutar é preciso. Mesmo recebendo ameaças, sabendo dos riscos que corria, ele lutou até o fim, chamou a atenção para a causa ambiental sem abdicá-la em nenhum momento. Ele já havia sido condecorado pela ONU no dia 5 de junho de 1987 (dia do meio-ambiente), mas foi somente após a morte do ecologista e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri (AC) que foi despertada a atenção internacional para os conflitos entre seringueiros e fazendeiros.

Morreu assassinado por fazendeiros que já fugiram diversas vezes da cadeia, chegando a conseguir financiamento público através de uma identidade falsa após uma dessas fugas. Hoje Darly Alves da Silva, um dos assassinos, está rico e cumpre prisão domiciliar. O filho dele, Darci, co-autor do assassinato de Chico Mendes, vive muito bem no Pará, administrando uma das fazendas da família.

A causa de Chico Mendes também era social. Ele criou o projeto das reservas extrativistas, unindo interesses dos seringueiros e dos índios. Embora não tenha havido grande repercussão no Brasil pelo 20˚ aniversário desse triste assassinato, houve repercussão no exterior. O jornal inglês The Guardian de hoje traz uma reportagem sobre os 20 anos da morte de Chico, falando sobre a importância desse líder e os avanços que ele propôs na maneira de lidar com o meio-ambiente mundo afora.

Mas a matéria mostra ainda uma triste realidade brasileira; o risco que correm as lideranças contestadoras por aqui. Um estudo da Comissão Pastoral da Terra que será publicado em 2009 sugere que pelo menos 260 pessoas vivem em condições de risco de vida por causa de sua luta contra um conjunto de fazendeiros, boiadeiros e madereiras que atuam na região amazônica.

O jornal traz ainda um artigo assinado pelo renomado jornalista e defensor das causas ambientais Charles Clover, que conheceu Chico Mendes pessoalmente. Intitulado "Chico Mendes Mártir dos nossos tempos", o artigo cita o sucesso das reservas extrativistas e daquelas administradas por comunidades indígenas estabelecidas por Mendes em proteger partes da Amazônia.

"Agora as pessoas falam na adoção de cotas de carbono para proteger áreas similares ao redor do mundo", diz a coluna. "E me dou conta de que conheci o mártir dos nossos tempos - o Gandhi, ou talvez Che Guevarra, de nossa era ambiental".


Esse blog é dedicado a Chico Mendes e a todos aqueles que lutam pela causa ambiental / social e não desistem de sua luta.

02/12/2011

O samba é um moleque

O samba é uma criança. Olha aí Chico Buarque e Hebe, crianças "gracinhas" cantando e dançando com Donga:


Feliz dia do Samba!

23/11/2011

No Recife, ex-mecânico morre depois de saber que ganharia indenização


Preso por engano em 1976, Marcos Mariano passou 19 anos preso.
STJ anunciou que ele ganhou causa contra o Governo de Pernambuco

Morreu no Recife, na noite desta terça-feira (22), o ex-mecânico Marcos Mariano da Silva, 63 anos. Ele foi, segundo o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), vítima do “maior e mais grave atentado à violação humana já visto na sociedade brasileira”. Preso por engano, Marcos passou 19 anos na cadeia, de onde saiu cego e tuberculoso. Faleceu apenas algumas horas depois de saber que havia ganhado na Justiça – por unanimidade – a causa que movia contra o Governo de Pernambuco. O valor inicial do processo estava avaliado em R$ 2 milhões, mas aproximadamente metade do valor foi pago em 2008. Hoje ele soube que receberia o restante.

“A vitória só não foi mais completa porque ele não chegou a receber o dinheiro. Ele sempre acreditou na justiça que só tornou-se concreta hoje”, afirma o advogado de Marcos, Afonso Bragança. O processo concluído nesta terça – um Agravo de Recurso Especial – dá ganho de causa a Marcos Mariano por danos morais e materiais. O valor definitivo da indenização ainda vai ser calculado. “Com a primeira parte, ele ajudou a família, comprou uma casa. Teve momentos nesses três últimos anos de ter uma vida digna, com condições de ter um mínimo de conforto”, conta o advogado.

O advogado afirma que deu a notícia ao cliente por volta das 15h. Em torno das 16h ele foi tirar o cochilo habitual e não acordou mais. Segundo Bragança, Marcos não estava doente. O corpo ainda está na residência dele, no bairro de Afogados, e ainda será liberado pelo Serviço de Verificação de Óbitos (SVO). “Já era esperada essa decisão, é a segunda. O estado recorreu de novo e ganhamos de novo”, explica o advogado. Segundo ele, a parcela de hoje vai requerer “outra guerra. O valor ainda vai ser calculado e deve ser revertido para a esposa dele”, afirma.

Entenda o caso
Marcos Mariano da Silva foi preso, em 1976, porque tinha o mesmo nome de um homem que cometeu um homicídio – o verdadeiro culpado só apareceu seis anos depois. Posto em liberdade, passou por um novo pesadelo três anos depois: foi parado por uma blitz, quando dirigia um caminhão, e detido pelo policial que o reconheceu. O juiz que analisou a causa o mandou, sem consultar o prontuário, de volta para a prisão por violação de liberdade condicional.

Nos 13 anos em que passou preso, além da tuberculose e cegueira, Marcos foi abandonado pela primeira mulher. A liberdade definitiva só veio durante um mutirão judiciário. O julgamento em primeiro grau demorou quase seis anos. O Tribunal de Justiça de Pernambuco determinou que o governo deveria pagar R$ 2 milhões. O governo recorreu da decisão, mas se propôs a pagar uma pensão vitalícia de R$ 1.200 ao homem. O caso chegou ao STJ em 2006.