Ficamos a pé

Com toda essa discussão sobre a nossa passagem de metrô no Rio de Janeiro, a mais cara do mundo, acabei descobrindo um blog bem interessante para quem quiser se aprofundar um pouco no assunto. É o diariosobretrilhos.blogspot.com, que é sempre atualizado por um grupo combativo e insistente como deveríamos todos ser, mas não somos. Eu pelo menos não sou tanto quanto deveria.

Quanto ao Metrô-Rio realmente é difícil falar. Lembro de certos momentos e o ar até falta. E não falo só do ar condicionado, que esse é um verdadeiro luxo nos trens subterrâneos, mas da superlotação que impede a gente até de respirar direito. Uma vez peguei a linha 2 por volta das 17h. Foi minha primeira experiência de levitação. Latas de sardinha são bem mais espaçosas. Não toquei o pé no chão do Estácio à Pavuna. Isso foi no início da década de 2000. De lá pra cá aumentou o número de estações, aumentou a população do Rio, aumentaram as tarifas acima da inflação... Só não aumentou o número de vagões.


Se eu que estava perto dos 20 anos, no auge da saúde, quase passei mal imagino os idosos, as gestantes, as pessoas com necessidades especiais que precisam usar o transporte público do Rio. O sistema de integração é quase nulo. Motoristas de ônibus não param nos pontos e arrancam a toda querendo devorar o mundo com o automóvel. O Metrô-Rio aperta cada vez mais seus passageiros fazendo a lei da selva - pra que outra lei se a advogada é a mulher do governador? - com tarifas absurdas e nem desconto dá para quem compra o pré-pago para evitar as filas ridiculamente grandes que se formam nos guichês. O trem não é uma realidade no Brasil e os trens da Supervia são uma piada de mau-gosto tamanho o desrespeito com os clientes. Taxi é para poucos...

Melhor comprar tênis novo porque vou gastar muita sola daqui pra frente.

Inteligência é inteligência

Todo mundo pode dizer o que quiser, mas o meu prédio é o mais interessante que eu já vi. Cobra um valor naturalmente alto para os serviços que dispõe e esse valor quase dobra todo mês por conta das despesas extras. A parte interessante é que essas despesas "extras" estão lá todo mês por motivos muito simples. O mais notório deles é o fato de os moradores fazerem questão de ter porteiros 24 horas por dia. Em um condomínio grande isso é justificável. Não no meu que tem vinte e poucas unidades pagando. Em um condomínio com 4 porteiros é possível administrar os horários dos 4 e ninguém precisa fazer hora extra. No meu só contrataram 3. Todos tem que fazer horas extras e, se algum sai de férias os outros trabalham todos os dias 12 horas por dia cada.

Resultado: Os 3 porteiros nunca estão completamente satisfeitos por não saberem o horário exato do expediente e os condôminos nunca estão satisfeitos porque os funcionários estão cansados durante o serviço e a conta paga no fim do mês é caríssima. Aí chega a eleição de síndico e... reelegem a mesma síndica. Ninguém quer pegar o pepino. Ela é a participante que foi pro paredão 5 vezes seguidas e nunca saiu. Entra morador, sai morador, mas ela está lá feito um 2 de paus. Aliás, de onde vem essa expressão se no jogo de buraco o 2 é coringa e vale mais por isso? Acho que a minha síndica parece mais uma estátua de ditador que teima em não cair. Até porque se cair quem vai aguentar o peso?

Boa participante como só dessa brincadeira ela contratou uma equipe para ficar disponível para consertar o interfone a qualquer hora no caso de algum problema. Meu interfone pifou, ela foi avisada e a tal equipe levou quase 2 semanas para chegar porque, sabe como é... "tinha o carnaval no meio". E ninguém fala nada. Não pela falta do interfone, que já seria suficiente para nos deixar mudos. Mas porque é um edifício inteligente como uma bela porta de madeira podre. A história ficou mais divertida hoje e por isso eu precisei externar, querido leitor. Me perdoe. É que recebi uma cartinha da administradora do condomínio dizendo que está tudo certo com o seguro do meu condomínio ... que cobre até QUEDA DE AERONAVE.

Sob velha direção (ou Os carnavais deles e o nosso)

Foi demais para uma semana só. Começou com Tiririca sendo indicado a uma comissão de educação na Câmara. No final da primeira sessão o mais votado deputado do país saiu dizendo: "É... Deu pra entender legal." Será que sou só eu que não entendo? Sinceramene, é impossível entender um país que elege os eleitos que estão aí.

A semana seguiu com a Câmara dos Deputados montando sua comissão para Reforma Política. Maluf, Eduardo Azeredo, Valdemar Costa Neto e Newton Cardoso são alguns dos gloriosos bastardos selecionados para desmoralizar o debate decente sobre a mudança política no país.

O Senado, no dia seguinte anunciou a sua comissão. Será presidida pelo Dornelles e contará com Collor e companhia. O presidente da casa, o imortal (infelizmente sem aspas) José Sarney, declarou que já era hora de carnaval, afinal de contas, "ninguém resiste à folia".

O carnaval da casa será de 2 semanas. Mas a nossa Democracia é assim. Se a economia não está em crise ou se o carnaval está chegando o resto que espere. Os políticos no máximo viram máscaras, como se já não fossem eles mesmos os mascarados. Eu não vou jogar confetes para esses burros velhos, mas eles que não apareçam no meu carnaval. Seria botar água no meu chope e atravessar o samba enquanto nos fazem de palhaços.

Para finalizar, já que os blocos me esperam e eu não tenho iPhone pra atualizar o bloco da rua, uma reportagem (só clicar) e uma musiquinha bem apropriada. Veja a letra abaixo.



"Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
Tem cachaça, tem mulata,
Mas também muita mamata
Mas dá galho se falar!
Tem tubarão à toa
Mamando pra valer!
Eu também vou
Entrar no jabaculê!"